O rácio preço/renda como primeiro indicador
Em Lisboa, o rácio preço/renda ultrapassa frequentemente as 30 a 40 vezes o valor anual da renda. No Porto, situa-se entre 20 e 30. No interior, pode descer para 10 a 15, tornando a compra financeiramente vantajosa muito mais cedo.
Uma regra prática: com um rácio acima de 20, arrendar tende a ser mais vantajoso em menos de 10 anos. Abaixo de 15, comprar pode compensar a partir de 7 anos. Estes limiares mudam com a taxa de juro do crédito habitação e a duração prevista de permanência.
Calcule o seu ponto de equilíbrio com a ferramenta Comprar ou arrendar e a sua prestação mensal com a calculadora de crédito.
Os custos de aquisição que os compradores subestimam
O IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis) aplica-se de forma progressiva: 0 % até cerca de 97.000 euros para habitação própria permanente, depois taxas crescentes até 7,5 % acima dos 1.000.000 euros. Acresce o Imposto do Selo (0,8 % sobre o valor de compra e 0,6 % sobre o capital do crédito), honorários do notário e registo.
No total, os custos de transação ficam habitualmente entre 5 e 8 % do preço de compra -- sem incluir a avaliação bancária nem os custos de intermediação.
A maioria das hipotecas em Portugal é indexada ao Euribor a 6 meses ou a 12 meses, com um spread fixo. Quando o Euribor sobe, a prestação mensal pode aumentar centenas de euros por mês -- um fator a ter em conta no cálculo de rentabilidade.
Quando arrendar é a melhor escolha financeira
Se prevê mudar de cidade em menos de 6 a 8 anos, os custos de compra e venda podem eliminar qualquer vantagem financeira. Os arrendatários que aplicam a diferença mensal e o capital inicial em Certificados de Aforro ou PPR obtêm por vezes resultados equivalentes ao longo de 15 anos.
Comprar não é automaticamente a melhor decisão -- é um cálculo que depende do horizonte temporal, do mercado local e da taxa de juro aplicável.