Por que o pH do solo importa mais do que o adubo
O pH do solo mede a sua acidez numa escala de 0 a 14: 7 é neutro, abaixo é ácido e acima é alcalino. A maioria das hortícolas desenvolve-se melhor entre pH 6 e 7. Cada ponto da escala representa uma diferença dez vezes maior na concentração de ácido: um solo com pH 5 é dez vezes mais ácido do que um solo com pH 6.
Em Portugal, os solos variam muito consoante a região. O norte e centro interior (Trás-os-Montes, Beiras) têm solos graníticos e xistosos, naturalmente ácidos (pH 4,5 a 6), ideais para hortênsias azuis, arandos e azáleas. O Alentejo e o Algarve apresentam solos calcários e alcalinos (pH 7,5 a 8,5), onde certas plantas como as camélias têm dificuldade em absorver ferro. O Minho e o litoral centro têm solos intermédios, geralmente entre pH 5,5 e 6,5.
Verifique as necessidades das suas plantas com a ferramenta Guia de pH do solo e calcule as quantidades de fertilizante com a calculadora NPK.
Como corrigir o pH do solo em Portugal
Para acidificar solos calcários: enxofre em pó, sulfato de ferro ou turfa de esfagno. O efeito é progressivo e demora vários meses. Para subir o pH em solos ácidos: calcário agrícola (carbonato de cálcio) a 100 a 200 g por m², com efeito visível em 4 a 8 semanas.
Análises de solo laboratoriais (pH, matéria orgânica, fósforo, potássio) custam entre 20 e 50 euros e fornecem informação muito mais precisa do que os kits colorimétricos de jardim.
O que o pH não garante
Um pH correto não assegura uma boa colheita se o solo estiver compactado, com mau drenagem ou pobre em matéria orgânica. O composto melhora simultaneamente a estrutura do solo, a sua capacidade de retenção de água e a resistência a variações de pH. Use a ferramenta Plantas companheiras para escolher associações que reduzam pragas e melhorem a fertilidade de forma natural.